12645008_954427377968811_3973282883349868460_nUma mulher pode tentar se esconder para não ver as devastações da sua vida, mas o sangramento, a perda da energia da vida, continuará até que ela reconheça a real natureza do predador a que se entregou e o domine.

Essa incapacidade de ver, de compreender, de perceber que nossos desejos interiores não são concomitantes com nossos atos exteriores — é esse o rastro deixado de um fator presente na psique feminina que esclarece o motivo pelo qual as mulheres que dizem desejar um relacionamento fazem tudo que podem para sabotar um relacionamento afetuoso.

É assim que mulheres que fixam metas para estar aqui, ali ou no lugar que seja até uma certa data nem mesmo dão o primeiro passo naquela direção, ou abandonam a jornada ante a primeira dificuldade. É assim que todos os adiamentos dão origem ao ódio a si mesma; todos os sentimentos de vergonha são reprimidos e colocados de lado para se exacerbarem; todos os recomeços tão necessários e todos os finais já há muito atrasados não se realizam. Onde quer que o predador se esgueire e atue, tudo é descarrilado, demolido e decapitado.

A mulher tem uma percepção adequada e, embora ela também a princípio concorde em se desvencilhar de seu predador natural da psique, embora ela também passe um período perdi­da na psique, ela no final consegue sair se penetrar na verdade total.

Ah, é então que chega a etapa seguinte, ainda mais difícil: a de ser capaz de suportar o que se vê, toda a autodestruição e entorpecimento.

Nesse estado de estar a mercê do predador natural da psique, a mulher perde sua energia para criar, quer sejam soluções para amenizar questões da sua vida como a educação, a família, as amizades, quer se trate dos seus objetivos, seu desenvolvimento pessoal, sua arte. Isso não é um mero adiamento, pois prossegue por semanas e meses a fio. A mulher parece arrasada, talvez cheia de idéias, mas com uma anemia profunda e cada vez mais incapaz de realizá-las.

Assim, ela se máscara perante ao mundo. Ela esconde muita coisa. Com disfarces e enchimentos psíquicos adequados, tanto os homens quanto as mulheres podem apresentar ao mundo uma persona quase perfeita, uma fachada quase perfeita.

Podemos dizer o que quisermos, mostrar a expressão mais sorridente, mas, uma vez tendo visto a verdade revoltante … não podemos mais fingir que ela não existe. E ver a verdade faz com que esgotemos nossa energia ainda mais. É doloroso; é um corte na artéria. Precisamos tentar corrigir imediatamente esse terrível estado.

A mulher previamente ingênua precisa encarar o que ocorreu … manter  sua com seus insights, suas inspirações, sua persistência e tudo o mais: e, no máximo, é o caminho para romper essa ligação.

Uma alma faminta pode ficar tão cheia de dor que a pessoa não consegue suportar mais. Como as mulheres têm uma necessidade profunda da alma se expressar em seus próprios estilos de alma, elas precisam se desenvolver e florescer de um modo que faça sentido para elas, sem serem molestadas pelos outros … Quem dentre nós não conhece pelo menos uma mulher amada que perdeu seus instintos para fazer boas opções na vida e foi, assim, forçada a viver uma vida alienada ou pior? Talvez você mesma seja essa mulher.

Uma das questões menos discutidas a respeito do processo de individuação é a de que, à medida que se lança luz sobre as trevas da psique com a maior intensidade possível, a sombra, onde a luz não alcança, fica ainda mais escura. Portanto, quando iluminamos alguma parte da psique, disso resulta uma escuridão mais profunda com a qual temos de lutar. Não se pode deixar de lado essa escuridão.

0 trabalho mais profundo é geralmente o mais sombrio. Uma mulher corajosa, uma mulher que procura ser sábia, irá urbanizar os terrenos psíquicos mais pobres, pois, se ela construir apenas nos melhores terrenos da psique, terá uma visão mínima de quem realmente é. Portanto, não tenha medo de investigar o pior. Isso só lhe garante um aumento no poder da sua alma.

É nesse tipo de urbanização psíquica que a Mulher Selvagem brilha. Ela não tem medo da treva mais profunda pois na realidade consegue ver no escuro. Ela não tem medo de vísceras, dejetos, podridão, fedor, sangue, ossos frios, moças moribundas e maridos assassinos. Ela tem condições de ver tudo, de suportar tudo, de ajudar. Ela pode voltar a viver.

11138503_10204808197476104_7823333959061897480_nAqui estamos novamente no lugar de La Loba, na caverna do arquétipo da mulher dos ossos. Aqui temos restos do que um dia foi uma mulher inteira. Contudo, ao contrário dos aspectos cíclicos da vida e da morte do arquétipo da Mulher Selvagem, que toma a vida que está pronta para morrer, a incuba e a devolve ao mundo … Para consertar esse aspecto, nós, enquanto mulheres, devemos contemplar o assassino que nos mantém sob controle, observar os resultados do seu trabalho medonho, registrar tudo conscientemente, mantê-lo na consciência, e depois agir.

Se uma mulher não examinar essas questões do seu próprio entorpecimento e assassinato, ela permanecerá obediente aos ditames do predador. Uma vez que ela abra aquele aposento na psique que mostra como está morta e retalhada, ela perceberá como diversas partes da sua natureza feminina e de sua psique instintiva foram extirpadas e tiveram uma morte indigna por trás de uma fachada de prosperidade. Agora que ela percebe isso, agora que registra como está presa e quanto da sua vida psíquica está em jogo, agora, sim, ela pode fazer algo ainda mais poderoso.

Sem a capacidade de ver, de ver realmente, o que foi aprendido a respeito do self do ego e do aspecto numinoso do Self pode-se se perder.

Quando aspectos opostos da psique de uma mulher atingem seu ponto de saturação, a mulher pode sentir um cansaço incrível pois sua libido está sendo sugada em duas direções opostas. No entanto, mesmo uma mulher que esteja morta de cansaço com suas lutas infelizes, não importa quais sejam, muito embora ela esteja com a alma exausta, ela ainda assim precisa planejar sua fuga. Ela precisa se forçar a seguir adiante seja como for. Esse período crítico assemelha-se a ficar ao relento em temperatura abaixo de zero um dia e uma noite. Para sobreviver, não se pode ceder à fadiga. Ir dormir significa morte certa.

Existe a hora de estremecer e correr, e existe a hora de não agir assim. Nesse momento específico, uma mulher não deve estremecer e não deve rastejar. Ela deve parar para se recompor, isso não é um sinal de submissão ao predador. É seu modo astucioso de reunir energias para usar da força. Como certas criaturas da floresta, ela está armando um bote contra o predador.

A mulher deve ensaiar a convocação ou a invocação da sua natureza combativa, do redemoinho, da força do vento. O símbolo do redemoinho de areia possui uma força tal de determinação que quando se concentra em vez de se dispersar confere enorme energia à mulher. Com essa atitude mais impetuosa, ela não perde a consciência nem é enterrada na companhia das outras. Ela resolve, de uma vez por todas, o assassinato interno das mulheres, sua perda da libido, a perda da sua paixão pela vida. Embora as perguntas-chave propiciem a abertura e a soltura exigida para a liberação, ela não tem como vencer totalmente se não emergir de sua ingenuidade.

Quando as mulheres conseguem emergir da ingenuidade, elas trazem consigo mesmas e para si mesmas algo de inexplorado. Nesse caso, para agir, a mulher agora mais sábia procura o auxílio de uma energia masculina interna. Na psicologia junguiana, esse elemento foi denominado animus: um elemento em parte mortal, em parte instintual, … possivelmente ameaçador, dependendo das circunstâncias psíquicas do momento. Essa figura psíquica tem valor especial por ser investida de qualidades que a criação tradicionalmente extirpa das mulheres, sendo a agressividade uma das mais comuns.

mulher braços abertos shutterstock_160624754Ela é a energia intrapsíquica que ajuda a mulher a realizar qualquer coisa que peça. É ele quem é capaz de violência, enquanto ela pode ter outros talentos. Ele irá ajudá-la na sua busca de consciência. Para muitas mulheres, ele é a ponte entre os mundos internos do pensamento e do sentimento e o mundo exterior.

Quanto mais forte e amplo o animus (pense no animus como uma ponte), com maior estilo, capacidade e desenvoltura a mulher manifestará suas idéias e seu trabalho criativo no mundo exterior de modo concreto. Uma mulher com um animus pobremente desenvolvido tem muitas idéias e pensamentos mas é incapaz de manifestá-los para o mundo lá fora. Ela sempre pára a um passo da organização ou da implementação das suas imagens maravilhosas.

Não afirmo saber como tudo isso funciona, mas de acordo com o padrão arquetípico, aparentemente funcionaria da seguinte forma: em vez de insultar o predador da psique, ou em vez de fugir dele, nós o desarmamos. Conseguimos esse feito não nos permitindo pensamentos discordantes a respeito da vida da nossa alma e especialmente do nosso valor. Capturamos os pensamentos nocivos antes que eles cresçam o suficiente para nos prejudicar e os destruímos.

Desarmamos o predador ao enfrentar suas invectivas com a proteção das nossas próprias verdades. Predador: “Você nunca termina nada que começa.” Você: “Termino muitas coisas, sim.” Enfraquecemos os ataques do predador natural levando a sério o que for verdade no que ele disser, trabalhando com essas verdades e ignorando o resto.

As mulheres descobrem que ao dominar o predador, dele retirando o que é útil e deixando o resto, elas se sentem cheias de energia, vitalidade e ímpeto. Elas extraíram do predador o que lhes havia sido roubado, o vigor e o sentido verdadeiro. Pode-se entender de algum dos seguintes modos o ato de extrair a energia do predador e de transformá-la em outra coisa. A raiva do predador pode ser transformada numa exaltação da alma íntima voltada para a realização de uma importante tarefa no mundo. A astúcia do predador pode ser usada para investigar e compreender as coisas de forma distanciada. A natureza assassina do predador pode ser usada para erradicar o que deve realmente morrer na vida de uma mulher, ou as coisas para as quais ela precisa morrer na sua vida exterior, sendo essas coisas diferentes conforme a ocasião. E devemos seguir em partes.

Aproveitar as partes é como isolar os elementos de valor medicinal do venenoso meimendro ou os elementos curativos da temível beladona, e usar esses materiais com cuidado para ajudar e para curar. As cinzas deixadas pelo predador irão sem dúvida se levantar novamente, mas de forma diferente, com muito maior oportunidade de ser reconhecida e com um poder muito reduzido para enganar e destruir — pois você derreteu muitos dos poderes que ele dedicava à destruição e voltou esses poderes para o que é útil e relevante.

Depois, como um ser selvagem que tudo fareja, que cheira em volta, debaixo e dentro para descobrir o que uma coisa é, a mulher está livre para encontrar respostas verdadeiras para suas perguntas mais profundas e mais sombrias. Ela está livre para arrancar os poderes daquilo que a assolou e para voltar esses poderes, que antes foram empregados contra ela, para os excelentes usos que lhe forem mais convenientes.

pinalcatheaAssim é a mulher selvagem.

Texto montado com trechos do livro Mulheres que correm com os lobos de Clarissa Pinkola Estés

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Tamaris Fontanella

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Tamaris Fontanella

Paulistana. “Mãe” de dois gatos (Axel e Meara). Conheceu logo no início da adolescência os preceitos do Feminino Sagrado Inovadora e Empreendedora por Natureza como uma boa Sagitariana. Criativa. Quem a conhece só um pouquinho já percebe que vive a força da Mulher Selvagem em todos os momentos de sua vida. No Espaço Ânima supervisiona e coordena as atividades dos pólos (presenciais e EAD) e atua como mestre formadora de novos terapeutas em diversos cursos. Coaching e Mentoring em Terapias Holísticas e Complementares, Psicopedagoga, Escritora com mais de15 livros publicados, Palestrante e Fotógrafa. É reconhecida como a primeira Coaching Empresarial no Brasil na área de Terapias Complementares e Holísticas no Brasil. Terapeuta filiada ao SINTE (CRT41426) e ao CRTCH (CRTCHBR 200902). Facilitadora da Unify (Sisters Circle), Movimento Mundial Global Sisterhood (http://women.unify.org/) Possui formações acadêmicas em Biologia, Administração de Redes, Pedagogia e Terapia Holística, com Especialização Terapia Energética Corporal (Instituto Pulsar), Psicoterapia Corporal e Bionergética (Centro Reichiano/ MFCR0016), Psicopedagogia (Braz Cubas), Master Coaching (Sociedade Brasileira de Coaching), Terapia Transpessoal (Instituto Plenitude), Psicologia da Aprendizagem, Didática do Ensino Superior e Constelações Familiares (Hellinger/PA). Fotografia (IFPR e Senac). Idealizadora da Theaterapia® (Terapia da Mulher), do Pompoarismo Sagrado Feminino, da rede de sororidade Despertar Feminino, da Theadança e do projeto Teia de Luz. Idealizadora dos sistemas de cura energética Goddesses Reiki®, Thea Spirit Doll® e Essências Vibracionais do Despertar Feminino®. Pioneira como Fotógrafa no Brasil a atuar no contexto do Sagrado Feminino e resgate da essência feminina com o uso terapêutico da fotografia (Theafotografia®). Atua como focalizadora de celebrações, ritos de passagem, jornadas e grupos terapêuticos com foco no despertar do feminino sagrado e na cura das necessidades físicas e psico-espirituais da mulher contemporânea. Sacerdotisa da Religião da Deusa, da Irmandade da Rosa, do Clã da Lua, Clã de Filhas de Brigit, Clã das Matriarcas e do Clã das Lobas. Formação em Medicina Andina – Sanação do ventre e do bioritmo lunar-menstrual, por Pilar Echeverry Trinidad Aguilar, e estudiosa da medicina Mapuche (Lafkenche – Abuela Maria Ester Epulef). Possui diversas certificações complementares em diversas áreas terapêuticas, psicoterapêuticas e pedagógicas: Florais, Fitoflorais, Oligoterapia, Cromoterapia, Medicina Ortomolecular, Aromaterapia, Fitoterapia, Iridologia, Auriculoterapia, Astroterapia, Radiestesia e Radiônica, Gemoterapia, Geoterapia, Arteterapia, Auriculoterapia, Danças, Xamanismo, Massoterapia Energética, Massoterapia Fisioterápica, Drenagem Linfática, RPG, Trofoterapia, Sustentabilidade e Alfabetização. Mestre em Usui, Tibetano, Kahuna, Goddesses Reiki e Celtic Reiki. Na área de atendimento atua com terapias complementares e holísticas na área da mulher e terapia associada a psicopedagogia na área infantil.

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