No artigo anterior eu falei sobre as características de um círculo de mulheres que podem favorecer o crescimento tanto de uma quanto do grupo.

Agora, abordarei um pouco sobre as dificuldades que podemos vir a enfrentar quando decidimos estar em um círculo, ao instante que nos propomos nos conhecer melhor em um grupo é inevitável ter que encararmos nossas Sombras e das participantes…

Pela Psicologia Analítica podemos compreender que a resistência se configura por uma série de comportamentos sejam eles verbais, corporais ou uma resposta frente a uma atitude do analista que o impede de poder avançar no processo terapêutico.

Quando a resistência ocorre em um círculo de mulheres, por exemplo, ela pode se apresentar na evasão de algumas participantes. Durante os debates é possível claramente observar a tensão física da maioria delas, respiração curta, silêncio absoluto onde a focalizadora muitas vezes pode introjetar este comportamento de maneira tensa e conflituosa.

O trabalho da resistência requer paciência por parte da focalizadora onde aos poucos serão levantadas questões acerca desta tensão. É importante acolher este incomodo através da escuta e com os conteúdos observados, levantar questões sobre isso, estimular a participação de todas através da empatia e amor.

A resistência, como expliquei anteriormente, é algo muito comum em círculos de mulheres, portanto requer muita cautela e sabedoria por parte da focalizadora. É necessário saber administrar conflitos, assim como a negação, que pode vir acompanhada da resistência, a carga de agressividade e a impossibilidade de reflexão acerca de temas conflituosos do grupo ou dela mesma (introjeção).

A negação pode aparecer em um círculo de mulheres porque uma participante, ou algumas, não conseguem reconhecer suas feridas e angústias. Esse mecanismo é uma forma de sobrevivência psíquica frente ao medo de desabar em tirar esse véu da negação.

Existem muitas formas de intervir com o grupo afim de dissolver essa barreira, depende da experiência da focalizadora e da ligação do grupo, conflitos podem ser doloridos e difíceis de se enxergar, mas ao passo que é possível elaborar a dissolução o resultado é uma ligação cada vez mais profunda, o grupo passa a se sentir mais confiante, o amor vai crescendo.

É importante a focalizadora posiibilitar que um círculo mantenha-se unido pois de acordo com Whitmont(1974) o indivíduo sente que pertence a algo maior, pode experienciar tanto conformidade quanto singularidade, buscar auto-sustentação, conviver com uma ampla gama de tipologias e pontos de vista, vivenciar situações numa concretude maior e, além disso, amplia-se o trabalho com as projeções e as possibilidades de um relacionamento genuíno.{..} Os aspectos da sombra, antes considerados vergonhosos, agora são vistos como equilibradores, na medida em que possuem um potencial transformador indispensável à vida psíquica. Passa a ser importante aceitar a realidade total de como somos e não apenas de como desejaríamos ser.

Portanto, sanar as feridas do grupo é sanar as feridas de cada uma de forma individual, pois assim é o processo de individuação, com amor e paciência, um círculo de mulheres ao encarar suas angústias, medos e inseguranças torna-se cada vez mais um útero pulsante de Vida, Morte e Vida.

 

Texto de Andressa Ferreira Thomé

 

 

www.pdf24.org    Send article as PDF