Depois de um ano morando no centro de Jundiaí, interior de São Paulo, em novembro retornei a casa da mamãe – área rural da cidade – para passar uma temporada. Como a estadia é por tempo indeterminado, minhas ervas foram para um canteiro e tratei de me inteirar – pela primeira vez em mais de 10 anos – das plantas que aqui estão.

Sempre soube que temos várias árvores frutíferas, flores, folhagens e um gramado extenso que a Dona Regina morre do orgulho. Mas as novidades para mim foram as plantinhas que nasceram depois de uns meses sem aparar a grama. Dia desses resolvi fazer um “tour” na chácara para tentar identificar cada uma das supostas “pragas” ou “ervas daninhas” que estavam tirando minha mãe do sério.

E para minha surpresa encontrei muuuuitos pés de arnica, picão branco, dente de leão, erva de santa maria, mirra, quebra-pedra, caruru, tanchagem e muitas outras que eu ainda desconheço. Fiquei surpresa, afinal, o que parecia ser mato na verdade são remédios muito apreciados na cultura popular. Fotografei cada uma delas e corri pesquisar na internet, tentando entender suas propriedades e se elas eram as curiosas PANCs – Plantas Alimentícias Não Convencionais.

Tanchagem

No Festival em Curitiba (ver post anterior) participei de uma vivência de cura da ancestralidade com tanchagem  e, ao voltar fiquei super feliz de ver tantos pezinhos que cresceram espontaneamente no quintal. Seguem algumas informações que encontrei sobre ela:

Nome: 

A tanchagem, de nome científico plantago major L., é uma planta rasteira pertencente à família das plantagináceas, sendo também conhecida popularmente como acatá, carrajá, tanchagem-terrestre e erva-de-ovelha. Incluí as espécies Plantago lanceolata e Plantago media. Devido a suas quantidades de proteínas, açúcares, vitaminas e minerais, junto à baixíssima probabilidade de toxidez, suas folhas foram classificadas como alimentícias.

Lendas e Mitos: 

O nome de gênero, Plantago, é uma velha adaptação francesa para a palavra em latim que significa “planta”. Uma antiga lenda diz que uma bela moça se casou com um cavaleiro renomado, que em seguida foi para a batalha. Após o beijo de despedida, o cavaleiro pediu para que ela esperasse seu retorno, e assim o fez, esperando infinitamente, sem que ele nunca houvesse retornado. Assim, depois de tanto esperar, ela foi transformada nesta planta. A espécie Plantago major faz parte da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS), constituída de espécies vegetais com potencial de avançar nas etapas da cadeia produtiva e de gerar produtos de interesse do Ministério da Saúde do Brasil.

 

Cultivo: 

Pequena erva bianual ou perene, de 20 a 30 cm de altura. Cresce espontaneamente em terrenos baldios e pomares da região sul do Brasil, onde é considerada planta daninha. É, contudo, na medicina caseira que é mais conhecida, cujo uso originou-se na Idade Média na Europa. A planta multiplica-se exclusivamente por sementes.

Precisa de sol pleno e clima temperado. Apesar de resistir bem a seca, prefere solos ligeiramente úmidos, mas não encharcados. Regar 2 vezes por semana, com moderação. A poda não é necessária, mas deve ser feita a renovação dos canteiros para sempre ter plantas mais vigorosas. Bastante rústica, não é exigente em relação a solo, mas prospera melhor nos ricos em matéria orgânica.

 

Nota: É considerada uma erva daninha, pois o vento se encarrega de sua polinização e dispersão de sementes, que também são feitas, de forma involuntária por animais e pelo próprio homem.

 

Atributos: 

Plantago Lanceolata

A tanchagem tem propriedades adstringente, antibacteriana, redutora de irritação, expectorante, analgésica, anti-inflamatória, desintoxicante, cicatrizante, depurativa, descongestionante, digestiva, diurética, sedativa, laxativa e tônica.

O chá das folhas serve como cicatrizante; combate diarreia, problemas gastrointestinais e dores de dentes; desinflama os gânglios; faz parar o catarro dos brônquios e desinflama boca e garganta. As folhas limpas e escaldadas em água fervente aplicadas sobre feridas ou úlceras são cicatrizantes e servem também contra lepra, mordida de cão e queimaduras. O chá morno também serve para banho de assento em caso de leucorreia.

As folhas como emplastro curam feridas, fístulas e hemorroidas. A infusão de folhas serve para estancar hemorragias nasais, em caso de retenção de líquidos e para eliminar a tosse e as mucosidades. As folhas e espigas tomadas em cozimento são excelentes para curar algumas afecções hepáticas e estomacais. É uma planta desinflamatória.
Usa-se toda a parte aérea da planta, ou seja, as folhas e o pedúnculo. Basta macerar e colocar em água fervente duas colheres de sopa em um litro de água e esperar esfriar. Coe e está pronto. Lave muito bem antes em água corrente, pois a tanchagem é muito rasteira e acumula terra e areia com facilidade.  É um excelente cicatrizante. Para aftas, esse chá em bochechos é um grande remédio.

Contraindicações: O chá de tanchagem é contraindicado para grávidas, lactantes e pacientes com problemas de coração, constipação e fezes ressecadas. Os efeitos colaterais desta planta rasteira incluem sonolência, cólicas intestinais e desidratação.

 

Fontes:
Cura pela Natureza
– Remédio da Terra
 Chá Benefícios
– Benefícios das Plantas
– Plantas Medicinais e Fitoterapia
– Plantas Ornamentais
– Plantas que Curam

 

Cíntia Carvalho 

www.pdf24.org    Send article as PDF