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Vênus de Willendorf – Devaneios da Deusa

Reencontro, Aprimoramento e Transcendência a Energia Feminina

Vênus de Willendorf – Devaneios da Deusa

Esta é a forma da fêmea:
dos pés à cabeça dela exala um halo divino,
ela atrai com ardente
e irrecusável poder de atração,
eu me sinto sugado pelo seu respirar
como se eu não fosse mais
que um indefeso vapor
e, a não ser ela e eu, tudo se põe de lado
– artes, letras, tempos, religiões,
o que na terra é sólido e visível,
e o que do céu se esperava
e do inferno se temia,
tudo termina:
estranhos filamentos e renovos
incontroláveis vêm à tona dela,
e a ação correspondente
é igualmente incontrolável;
cabelos, peitos, quadris,
curvas de pernas, displicentes mãos caindo
todas difusas, e as minhas também difusas,
maré de influxo e influxo de maré,
carne de amor a inturgescer de dor
deliciosamente,
inesgotáveis jatos límpidos de amor
quentes e enormes, trêmula geléia
de amor, alucinado
sopro e sumo em delírio;
noite de amor de noivo
certa e maciamente laborando
no amanhecer prostrado,
a ondular para o presto e proveitoso dia
de carne doce e envolvente.

Eis o núcleo – depois vem a criança
nascida de mulher,
vem o homem nascido de mulher;
eis o banho de origem,
a emergência do pequeno e do grande,
e de novo a saída.

Não se envergonhem, mulheres:
é de vocês o privilégio de conterem
os outros e darem saída aos outros
– vocês são os portões do corpo
e são os portões da alma.

A fêmea contém todas
as qualidades e graça de as temperar,
está no lugar dela e movimenta-se
em perfeito equilíbrio,
ela é todas as coisas devidamente veladas,
é ao mesmo tempo passiva e ativa,
e está no mundo para dar ao mundo
tanto filhos como filhas,
tanto filhas como filhos.

Assim como na Natureza eu vejo
minha alma refletida,
assim como num nevoeiro,
eu vejo Uma de indizível plenitude
e beleza e saúde,
com a cabeça inclinada e os braços
cruzados sobre o peito
– a Fêmea eu vejo.

Walt Whitman, Folhas de Relva
(fragmento de “Eu Canto o Corpo Elétrico”
do poema “Filhos de Adão”
na tradução de Geir Campos)

Vênus

Os artistas do Paleolítico Superior realizaram também trabalhos em escultura. Mas, tanto na pintura quanto na escultura, nota-se a ausência de figuras masculinas. Predominam figuras femininas, com a cabeça surgindo como prolongamento do pescoço, seios volumosos, ventre saltado e grandes nádegas. Destaca-se: Vénus de Willendorf.

A Vênus de Willendorf, hoje também conhecida como Mulher de Willendorf, é uma estatueta com 11,1 cm (4 3/8 polegadas) de altura representando estilisticamente uma mulher, descoberta no sítio arqueológico do paleolítico situado perto de Willendorf, na Áustria, em 1908, pelo arqueólogo Josef Szombathy.

Está esculpida em calcário oolítico, material que não existe na região, e colorido com ocre vermelho.

Em 1990, após uma revisão da análise estratigráfica deste sítio arqueológico, estimou-se que tivesse sido esculpida há 22000 ou 24000 anos. Pouco se sabe sobre a sua origem, método de criação e significado cultural.

A Vênus não pretende ser um retrato realista, mas uma idealização da figura feminina. A sua vulva, seios e barriga são extremamente volumosos, de onde se infere que tenha uma relação forte com o conceito da fertilidade.

Os braços, muito frágeis e quase imperceptíveis, dobram-se sobre os seios e não têm uma face visível, sendo a sua cabeça coberta do que podem ser rolos de tranças, um tipo de penteado ou mesmo segundo alguns autores estão relacionados a vários olhos.

A Vênus faz parte da coleção do Museu de História Natural de Viena (Naturhistorisches Museum).

A Vênus de Willendorf destaca a fertilidade da mulher, algo praticamente sagrado para os nossos ancestrais, e essa ligação com a Grande Mãe.

Percebemos nessa representação da Deusa que o homem idealizava um tipo feminino que atendesse suas necessidades culturais, representando a fertilidade em pedra, com seios e ventre proeminentes.

Fosse qual fosse a religião, a civilização, o povo, a época, o Homem manteve sempre uma fidelidade inquestionável à “Mãe Terra” e ao “Sagrado Feminino”, fosse ela permitida ou não, tivesse ela templos, ritos, sacerdotisas ou fosse completamente esquecida pela teologia dos sacerdotes. Não existe, em todo o contexto das Ciências da Religião, outro elemento tão constante, tão presente e tão similar como essa figura , a deusa-terra, fêmea de onde tudo provém e para onde tudo volta para voltar a nascer.

Os homens sempre entenderam que os seus deuses deviam seguir a lógica da sua própria criação.

O Feminino complementa o Masculino, e vice-versa.

Na lógica da criação, sem o elemento feminino, nada existe, nada nasce, nada fecunda, tudo é infértil e árido.

Muitas outras formas artísticas se equivalem a essa representação do feminino, a mais destacada é a Vênus de Lespugne, descoberta na França: embora mais estilizada, guarda as mesmas características de sua irmã de Willendorf.

 
Bjus de Luz
NamasThea!
texto Tamaris Fontanella
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