Quando li o conto Sapatinhos Vermelhos percebi que se tratava da vida psiquica de uma mulher que embora tivesse toda a Potência Criativa ou como aquele velho ditado diz ” com a faca e o queijo na mão”, negou as oportunidades para desenvolver essas capacidades.

No conto, mostra que a menina vivia feliz com seus sapatos vermelhos feitos por suas próprias mãos, isto significa que sua libido( energia criativa) flui de forma harmoniosa e natural, uma psique saudável é aquela que sabe elaborar conteúdos internos e externos de forma a viver mais íntegra consigo mesma. No entanto, mesmo ela ter toda esta capacidade criativa, algum gatilho dispara na menina ao preferir subir na carroça da velha ao continuar seu caminho por conta própria.

Acredito que nesta etapa do conto, podemos relacionar com muitas coisas: a vida de uma mulher que decide pôr de lado seus objetivos e planos, a insegurança de não conseguir atingi-los que quando se vê próxima de conquista-los simplesmente desiste ou até mesmo se deixar levar por um mundo de aparências em que acaba abafando suas Potencialidades. Dentro destes exemplos que cito a semelhança entre eles é a falta de confiança em si mesma. A velha senhora então destrói toda sua fonte de vida criativa: sua própria identidade, ela arranca-lhe suas raízes e a enquadra numa condição onde não existe a expressão de sua Alma.

Não confiar em si é não saber reconhecer tudo o que te levou para chegar até aqui, poder olhar o trajeto de sua Vida, existe uma frase da qual me impactou profundamente: O Rio que esquece onde nasce, seca! E é exatamente o que acontece com a menina, ela ter perdido os seus sapatos vermelhos de lã e suas roupinhas maltrapilhas foi ter perdido sua Alma, se a velha senhora tivesse permitido que a menina ficasse com eles, certamente ela desenvolveria seus dons, isto significa que é equilibrar a razão e as regras sociais introjetadas com nossos instintos femininos, nossa intuição e a razão que se equilibram.

Em um seguinte momento do conto, a velha senhora e a menina vão ao sapateiro, a menina encontra-se então completamente seduzida pelos novos sapatos vermelhos, a velha senhora por sua vez não enxerga muito bem a cor dos sapatos escolhidos pela menina e os leva. Neste ponto, posso compreender a vista grossa da velha senhora como uma fenda que surge de uma barragem que segura durante anos uma grande quantidade de água, o tempo vai passando e a rachadura que vai aumentando cada vez mais. Esta rachadura é uma brecha de nossa história pela qual nossas potencialidades e instintos vão passar uma hora ou outra, a Natureza segue um fluxo, nossa psique também, negar esse fluxo ou tentar cobri-lo de alguma forma é causar sofrimento.

No entanto a menina se afunda em seu próprio desejo, ter perdido sua Identidade a faz se perder em suas obsessões, quando perdemos nosso Norte, quando esquecemos daquilo o que verdadeiramente nos move, seguir aquilo que é frívolo e passageiro nos fará buscar incessantemente algo que se encontra fora de nós esperançosas que irá nos preencher.

A intensa força de nossa Natureza nos poderá destruir se não soubermos usa-la, é preciso direcionar, olhar para nossa Alma é poder resgata-la, confiar e saber que possuímos a rédea nas mãos, conhecer nossa História e assumir nossa Identidade e fazer nossa Potência Criativa fluir com segurança.

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