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Cascalhos Negros da Alma – O Clã das Cicatrizes

Um espaço voltado para o Reencontro, Aprimoramento e Transcendência do Despertar da Mulher

Cascalhos Negros da Alma – O Clã das Cicatrizes

As lágrimas são um rio que nos leva a algum lugar.

Há oceanos de lágrimas que as mulheres nunca choraram por terem sido ensinadas a levar para o túmulo os segredos dos pais e das mães, dos homens, da sociedade, bem como os seus próprios.

Na realidade, porém, para o bem da alma selvagem da mulher, é melhor chorar. Para as mulheres, as lágrimas são um princípio de iniciação para o ingresso no clã das cicatrizes, essa eterna tribo de mulheres de todas as cores, todas as nacionalidades, todos os idiomas, que no decorrer dos séculos passaram por algo de grandioso e que mantiveram seu orgulho.

Quando acessamos os segredos de nossas histórias pessoais estamos entrando em contato com pedras preciosas, pedras fundamentais que tornam quem nós somos, mas elas nos revelam os cascalhos negros na pele da alma.

Trazem a torna o medo profundo, a privação dos nossos direitos, de sermos consideradas indesejáveis, revela os segredos da destruição dos relacionamentos, bem como inúmeras violências, como também a transgressão de algum código social ou moral do sistema de valores da pessoa, da religião ou da cultura.

A vergonha de ser quem somos quando tocamos esses cascalhos negros faz com que a mulher se isole da sua natureza instintiva, que essencialmente é livre e alegre. Quando existe um segredo atroz na psique, a mulher não consegue nem chegar perto dele e na realidade, por defesa, evita entrar em contato com qualquer coisa que a lembre desse segredo ou que faça com que sua dor crônica se intensifique.

Esses segredos trazem histórias de traição, o amor proibido, a curiosidade censurável, atos desesperados, atos forçados, o amor não-correspondido, o ciúme e a rejeição, a vingança e a fúria, a crueldade consigo mesmo ou com outros; sonhos, desejos e anseios reprováveis; estilos de vida e interesses sexuais condenados; gravidezes não-planejadas; o ódio e a agressão; o ferimento ou a morte acidentais; promessas não-cumpridas; falta de coragem; descontrole emocional; impossibilidade de terminar algo; incapacidade de fazer algo; manipulação e interferência por baixo do pano; descaso; violência; e a lista continua, sendo que a maioria dos temas se incluiria na categoria de erro lamentável.

Em cada história pessoal há o drama da heroína, a mulher que acaba caindo nas garras de qualquer coisa ou de qualquer um e sofre severas provas, ou aquela que é raptada, aquela que perde contato com a riqueza da própria vida e entra em colapso, aquelas histórias que degeneram em tragédias que não dão em nada.

Porém, nem tudo é tão sombrio quanto parece. O modo de reverter um drama trágico num drama heroico está em revelar o segredo, em falar a respeito dele com alguém, em escrever um outro final, em examinar nosso papel nele e quais as nossas qualidades ao suportá-lo.

As mulheres foram advertidas de que certos acontecimentos, certas opções e circunstâncias na sua vida, geralmente relacionados ao sexo, ao amor, ao dinheiro, à violência e/ou a outras dificuldades comuns à condição humana, são de natureza extremamente vergonhosa, não merecendo nenhum tipo de absolvição. Isso não é verdade.

E eu digo que não há nada que um ser humano possa ter feito, esteja fazendo ou possa vir a fazer que esteja fora dos limites do perdão. Nada mesmo. A alma selvática tem um lado profundamente compassivo que leva esse fato em consideração.

No arquétipo do segredo, é lançado sobre a psique da mulher uma espécie de encantamento, como uma rede escura, e ela é encorajada a acreditar que o segredo não deve jamais ser revelado. Esse tipo de ameaça de encantamento é um passatempo apenas para aquelas pessoas que habitam um espaço negro e limitado no seu coração. Entre as pessoas cheias de amor e carinho pela condição humana, vale exatamente o contrário. Elas ajudariam a extrair o segredo, por saberem que ele gera uma ferida incurável até que o tema se expresse em palavras e disponha de testemunhas.

A mulher que guarda um segredo é uma mulher exausta.

Quando a mulher dedica mais atenção à questão da sua própria vergonha secreta do que outros membros da sua família ou da sua comunidade, é só ela quem sofre conscientemente.

Quando um segredo não é revelado, a dor persiste do mesmo jeito, e por toda a vida. A guarda de segredos prejudica a higiene natural e autocurativa da psique e do espírito. Essa é mais uma razão para revelarmos nossos segredos. A revelação e a dor nos salvam da zona morta. Elas nos permitem deixar para trás o culto fatal dos segredos. Podemos chorar e chorar muito, e sair cobertas de lágrimas, mas não manchadas de vergonha. Podemos sair daí mais profundas, com o total reconhecimento de quem somos e plenas de uma nova vida.

Informações sobre o Alcathea

A Mulher Selvagem nos abraçará enquanto estivermos chorando. Ela é o Self instintivo.

Texto montado com trechos do livro Mulheres que correm com os lobos de Clarissa Pinkola Estés

Aullllllllllll

Tamaris Fontanella

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